A transação tributária mudou a lógica de negociar dívidas com o fisco: em vez do parcelamento padrão, a empresa pode obter descontos reais em multas, juros e encargos, prazos alongados e condições ajustadas à sua capacidade de pagamento. Veja como funciona, quem pode aderir e como extrair as melhores condições.
O que é a transação tributária
É o acordo previsto em lei (Lei 13.988/2020) entre o contribuinte e a Receita Federal ou a PGFN para extinguir débitos com concessões de ambos os lados. Diferente do parcelamento comum, a transação pode incluir descontos, entrada facilitada, uso de prejuízo fiscal (em certas modalidades) e prazos maiores.
As principais modalidades
- Transação por adesão (editais): condições padronizadas publicadas em edital para grupos de débitos — como o conhecido Litígio Zero.
- Transação individual: negociada caso a caso — típica para dívidas maiores, com plano de pagamento baseado na capacidade econômica da empresa.
- Transação do contencioso: para débitos em discussão administrativa ou judicial de temas específicos.
O segredo dos descontos: o “rating” da dívida
A PGFN classifica os créditos por recuperabilidade (A a D). Dívidas consideradas irrecuperáveis ou de difícil recuperação — pela situação econômica do devedor — recebem os maiores descontos (que podem chegar à casa de 65%, e mais para pequenas empresas em modalidades específicas). Ou seja: demonstrar corretamente a capacidade de pagamento é o que define o tamanho do desconto. Uma apresentação malfeita = desconto menor.
Transação × parcelamento comum
- Parcelamento comum: divide a dívida integral em parcelas, sem desconto.
- Transação: pode reduzir multas, juros e encargos, alongar prazos e aceitar formas de pagamento especiais — mas exige requisitos e traz compromissos (desistir de discussões sobre os débitos incluídos, manter regularidade).
Cuidados antes de aderir
- Não inclua débito indevido: cobranças prescritas ou com vício não deveriam ser pagas — nem com desconto. Revise antes (veja como organizar o passivo).
- Simule o fluxo: a melhor condição é a que o caixa sustenta — romper a transação faz perder os benefícios.
- Aproveite a janela dos editais: as modalidades por adesão têm prazo.
Perguntas frequentes
Qual o desconto máximo na transação tributária?
Depende da modalidade e da classificação da dívida: em regra até 65% sobre multas, juros e encargos, com percentuais e prazos maiores para ME/EPP, Simples e situações específicas.
Transação libera a certidão negativa?
Sim: com o acordo ativo e em dia, a exigibilidade fica suspensa e a empresa obtém a certidão (CPEN).
Quem está em execução fiscal pode transacionar?
Sim — dívida ativa em execução é justamente o campo típico da transação com a PGFN. Veja também o que fazer quando a empresa é citada.
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Claudia Gardin Martins
Advogada tributarista · Scholante Consultoria
OAB/RS 87.832
Atua com regularização de dívidas tributárias — transação, parcelamentos, REFIS, defesa em execução fiscal e liberação de certidões. LinkedIn · Fale com a autora
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